Fiscal e monetário: a tensão que define o ciclo econômico brasileiro
A interação entre política fiscal expansionista e política monetária contracionista é o principal vetor de risco para a economia brasileira em 2026. Enquanto o governo amplia gastos, o BC mantém juros altos — e o mercado cobra esse desequilíbrio via câmbio e prêmio de risco.
O dilema fiscal
O Brasil enfrenta um dilema estrutural: a necessidade de crescimento econômico pressiona o governo a expandir gastos, mas a expansão fiscal em um ambiente de inflação acima da meta força o BC a manter juros altos. Esse ciclo vicioso é o principal obstáculo para a normalização da política monetária.
O déficit primário do setor público consolidado atingiu 1,8% do PIB em 2025 e a projeção para 2026 é de 1,5% — ainda acima da meta de resultado primário zero estabelecida pelo arcabouço fiscal. A trajetória de dívida pública, que deve alcançar 90% do PIB até 2028, é monitorada de perto pelos investidores estrangeiros.
A resposta do mercado
O mercado precifica o risco fiscal via dois canais principais: o câmbio e os juros longos. Quando as notícias fiscais pioram, o dólar sobe e as taxas dos títulos longos abrem — aumentando o custo de rolagem da dívida e criando um ciclo de retroalimentação negativa.
Para que esse ciclo seja quebrado, é necessário um ajuste fiscal crível e sustentável. O mercado não está convicto de que isso ocorrerá antes das eleições de 2026 — e essa incerteza é o principal fator de risco para os ativos brasileiros no segundo semestre.